
UM VISITANTE ILUSTRE E AMEAÇADO
A baleia franca é uma das espécies ameaçadas
do planeta. Pode chegar a medir 18 metros e pesar até
60 toneladas. Suas características são o corpo
totalmente negro com uma mancha branca no ventre; as nadadeiras
peitorais “quadradas”, lembrando um trapézio;
na cabeça, ela possui calosidades típicas, “verrugas”,
que servem como uma espécie de “impressão
digital” que identifica individualmente cada animal.
Nos últimos anos, a população da baleia
tem aumentado e, com isso, Imbituba esta se tornando um dos
principais destinos ecoturísticos do Brasil. Vale lembrar,
ainda, que isto só tem sido possível graças
as mudanças na legislação ambiental,
que agora prevê a proteção total desses
animais, e pelo cuidado da comunidade que com elas convivem
na costa catarinense.
ARMAÇÃO BALEEIRA E CAPITAL DA PRESERVAÇÃO
Fundada em 1796, a Armação (estação
baleeira) de Imbituba foi a mais austral das estações
de caça à baleia no Brasil-Colonia, num ciclo
iniciado ainda no século XVII e que fez da colonização
da costa brasileira um sinônimo de destruição
da população de baleias francas, outrora abundantes
no País. Em função da longa perseguição,
estima-se que não restem hoje no mundo mais do que
7000 baleias francas.
Impulsionada pela caça, praticada principalmente na
busca do óleo proveniente da espessa camada de gordura
das baleias, Imbituba cresceu ao longo dos séculos
com a diversificação das atividades econômicas
da região, e a caça deixou de ser fundamental
para sobrevivência de seus habitantes. Em 1973, a ultima
baleia franca foi morta em Imbituba, encerrando um ciclo que
levou a espécie à beira da extinção.
Em 1982, ambientalistas voluntários liderados pelo
vice-almirante Ibsen de Gusmão Câmara e pelo
naturalista Jose Truda Palazzo Jr. redescobriram em Santa
Catarina as últimas baleias francas brasileiras, iniciando
uma batalha pela sua preservação e recuperação
que tornou-se um marco internacional na defesa da natureza.
O município de Imbituba, ciente de sua ligação
histórica com o destino desses animais, tornou-se parceiro
nessa luta e vem apoiando firmemente as ações
de pesquisa e conservação desenvolvidas pelo
Projeto Baleia Franca, sediado no município há
mais de dez anos.
Imbituba é hoje reconhecida como a capital brasileira
de conservação das baleias, é um fluxo
crescente de visitantes do Brasil e exterior participando
anualmente da Semana Nacional da Baleia Franca, que alia reuniões
e debates técnico-cientificos a atividades culturais
e desportivas, visando celebrar a presença, cada vez
mais expressiva, das baleias francas no município.
MUSEU DA BALEIA FRANCA DE IMBITUBA
O “Barracão da Baleia”, sediado na praia
do Porto, foi a ultima estação baleeira a operar
no sul do Brasil. Depois de encerradas as atividades de caça,
em 1973, o prédio sofreu um longo processo de deteriorização,
até que não restassem mais do que as ruínas
da chaminé e os tanques de separação
e armazenamento do óleo de baleia.
Em 21 de setembro de1998, após uma campanha popular
liderada pelo Projeto Baleia Franca e empresários locais,
a Prefeitura Municipal de Imbituba decretou o Tombamento Histórico
do sitio do Barracão da Baleia, e Lei Municipal posterior
transferiu o sitio ao Projeto com vistas à sua restauração.
Com a ajuda da comunidade e dos antigos caçadores que
participaram das atividades de captura e processamento das
baleias, o Barracão foi reconstruído e hoje
sedia o Museu da Baleia, primeiro da América do Sul
a reunir informações sobre a saga das baleias,
sua matança e luta pela sua preservação.
UM SANTUÁRIO PARA A BALEIA EM SEU HABITAT
NATURAL
Imbituba situa-se no coração da Área
de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca,
uma área de conservação da natureza com
156; 100 hectares, criada por Decreto Federal em setembro
de 2000, e que se destina a assegurar a adequada tranqüilidade
para as baleias francas que fazem da costa centro-sul de Santa
Catarina o seu berçário, harmonizando as atividades
humanas com as necessidades de proteção ambiental.
O Município, que participou ativamente da campanha
para a criação desse santuário, cedeu
ao IBAMA a estrutura necessária para sediar aqui a
Gerencia da APA da Baleia Franca, contribuindo, assim, para
sua efetiva implantação pelo Governo Federal.
Além das baleias, a APA da Baleia Franca deve proteger
uma parcela expressiva dos ambientes naturais costeiros que
fazem de Imbituba um dos mais belos municípios da costa
do Brasil.
OBSERVANDO AS BALEIAS EM IMBITUBA
De junho a novembro, as muitas praias do Município
são visitadas pelas baleias francas, em particular
mamães-baleias e seus filhotes recém-nascidos,
que aqui são amamentados e se fortalecem para a longa
jornada se volta às áreas de alimentação
dos adultos, no retorno da Antártida, no verão.
Ver as baleias francas em Imbituba é tão fácil
como caminhar na praia: elas chegam até a uns 30 metros
da costa, e um passeio a pé freqüentemente é
alegrado pala companhia desses ameaçados e pacíficos
mamíferos. O uso de binóculos ajuda a vê-los
com mais detalhes, mas é a olho nu que a maioria das
pessoas aprecia a presença delas. Entre agosto e setembro,
quase todos os dias há baleias passeando pelas praias
de Imbituba, principalmente entre a Barra de Ibiraquera e
Itapirubá.
No site www.baleiafranca.org.br ou no fone (48) 3255.2922
é possível ter informações atualizadas
sobre a localização das baleias no litoral,
fornecidas gratuitamente pelo Projeto Baleia Franca. As pesquisas
desenvolvidas pelo Projeto são realizadas no Centro
Nacional de Conservação da Baleia Franca, na
praia de Itapirubá. Ali também funciona um centro
de informação sobre o animal, que estará
aberto à visitação a partir de setembro
de 2003.
Também são oferecidas avistagens embarcadas
na região. São empresas locais que oferecem
o serviço respeitando as normas federais, que limitam
esse tipo de atividade visando garantir a tranqüilidade
dos animais (a íntegra da legislação
também pode ser lida no site do Projeto Baleia Franca).
Contando com uma excelente infra-estrutura turística,
com hotéis, pousadas e restaurantes abertos todo o
ano, Imbituba vem se qualificando como um dos mais importantes
destinos catarinense de ecoturismo de inverno, em que a presença
das baleias se integra ao conjunto de belíssimas praias,
lagoas, ilhas, costões rochosos e campos de dunas que
caracterizam as paisagens do município.
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